Plano de Inspeção na indústria elaboração e implantação

O Plano de Inspeção de Equipamentos na indústria, a partir da sua implantação, é um processo crucial para garantir a segurança, a eficiência e a vida útil dos maquinários, além de contribuir para a qualidade dos produtos finais e a produtividade geral da empresa.

A inspeção é o ato de acompanhar e diagnosticar, o mais prematuramente possível, a possibilidade de ocorrência de falhas, defeitos ou quebras, sem que seja necessário intervir no equipamento.

A metodologia a ser adotada em cada inspeção poderá abranger a coleta de informações quantitativas (leitura de variáveis mensuráveis) ou qualitativas (avaliação de variáveis não mensuráveis, típicas de observações baseadas nos cinco sentidos) de estado ou comportamento de variáveis (de inspeção) preestabelecidas para cada caso.

Os objetivos gerais a serem alcançados com os planos de inspeção sistematizados podem ser resumidos:

  • Determinar antecipadamente qual será a data limite para execução da manutenção necessária, evitando-se perdas de produção ou outras conseqüências indesejáveis;
  • Aumentar a disponibilidade dos equipamentos e instalações produtivas;
  • Minimizar a ocorrência de paradas emergenciais;
  • Aumentar a confiabilidade operacional dos equipamentos e instalações;
  • Reduzir os custos diretos (recursos aplicados na execução de intervenções) e indiretos da manutenção (lucros cessantes por perda de capacidade produtiva);
  • Aproveitar os componentes de um equipamento ou instalação em toda a extensão de sua vida útil.

Preparação para elaboração do Plano de Inspeção

Critérios para enquadramento dos equipamentos e instalações que levem em considerações pelo menos. Para a elaboração do plano de inspeção devem ser considerados os seguintes tópicos.

Criticidade do equipamento ou da instalação, ou seja, seu potencial de influência nas seguintes situações:

  • Perda de produção;
  • Custos de manutenção elevados;
  • Risco de acidentes com pessoas ou com outros equipamentos e instalações;
  • Elevado valor patrimonial;
  • Acessos internos dificultados por razões de desmontagem onerosa e problemática;
  • Itinerário (equipamentos ou conjuntos de equipamentos, análise de locais de difícil acesso, etc…);
  • Frequência (em função da característica e uso do equipamento);
  • Conteúdo das inspeções;
  • Planos de Lubrificação.

Para se estabelecer a frequência de ocorrência das inspeções, os seguintes aspectos deverão ser considerados:

Em regime operacional:

  • Frequências de ocorrências em registros históricos;
  • Recomendações de fabricantes e projetistas;
  • Dimensionamento da equipe de inspetores.

Em regime especial, ou seja, quando ocorrer:

  • Agravamento ou eventual degradação do estado operacional;
  • Mudanças significativas no regime operacional;
  • Indisponibilidade de dados históricos;
  • Necessidade de registros antes e após a execução de manutenções.

Aspectos Psicológicos

Muitos fracassos têm como causa uma concepção por demais individualista para o trabalho de preparação, portanto o preparador deve ser uma pessoa de campo, que procure a colaboração dos supervisores afetados pela intervenção e dos colaboradores qualificados que conheçam bem o equipamento e suas necessidades.

Segurança

O preparador é responsável em caso de acidente proveniente de uma intervenção da qual foi encarregado de redigir, pois ele deve conhecer os controles periódicos e regulamentares, a lista de habilitações e capacidades técnicas, os regulamentos relativos à segurança.

A habilitação define as atribuições que possam ser confiadas a uma pessoa que comprove suas aptidões e conhecimentos relativos a: riscos; regras a serem observadas para execução dos trabalhos; medidas a serem tomadas em caso de acidente.

Padrão de Inspeção

A inspeção é realizada por pessoal atento e treinado para detectar condições de anormalidades. Ela assegura uma supervisão cotidiana do conjunto de equipamentos, evitando assim o aparecimento de um grande número de defeitos menores, que poderiam ter consequências maiores com o passar do tempo.

A inspeção compreende as seguintes atividades, relativamente ao equipamento em operação:

  • Lubrificação (controles, reposição de nível e limpezas);
  • Controles de pressão, temperatura, vibrações (com ou sem aparelhos);
  • Exames sensoriais, utilizando os cinco sentidos (detecções visuais de vazamentos, detecção de odores, ruídos anormais, temperaturas…);
  • Testes (comparação da resposta com uma referência);
  • Trabalhos menores (retiradas simples de equipamentos de estado de pane, regulagens como a tensão de uma correia, trocas padronizadas como lâmpadas e fusíveis);
  • Apertos de porcas e parafusos.

Para que a inspeção produza o necessário resultado é fundamental que se estabeleça os padrões e limites de aceitação dos valores das variáveis. Esta não é uma tarefa fácil e requer pessoal com suficiente domínio técnico a respeito dos equipamentos e instalações, do ponto de vista de manutenção e ainda considerando o regime operacional a que estão submetidos. Existem diversos modos de se estabelecer tais parâmetros, como sugestão inicial, considerar:

  • Curvas de comportamento característico obtidas de registros históricos;
  • Informações fornecidas por fabricantes e projetistas;
  • Experiência prática.

Uma atividade de extrema importância é a limpeza preconizada no programa dos 5S. Quem limpa está inspecionando e pode ser orientado para identificar e eliminar as causas de sujeira, que seguramente serão as mesmas da deterioração precoce.
Com o equipamento parado devem ser analisadas as condições de peças sujeitas a esforços que provoquem desgastes, torções, trincas, empenamentos, etc..

O acúmulo de materiais (matéria-prima, poeira, umidade) é fator determinante para início de falhas e, portanto devem ser retirados ou relatados para ações corretivas propícias.

Após análise e definição das atividades e dos parâmetros que comporão a inspeção daquele equipamento, é necessário estabelecer um padrão de inspeção. A ilustração a seguir é uma sugestão de formulário.

Os padrões de inspeção periódica dos equipamentos de produção referem-se a locais de inspeção, itens a serem inspecionados, frequência da inspeção, método de inspeção, instrumentos de medida, critérios, ações após a inspeção (troca de peças, reparos, ajustes, limpeza, etc..).

 

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